18 de março em Brasília

sábado, 19 de março de 2016

No dia 18 de março, em Brasília a multidão se reuniu para o ato de comunhão partidária do PT. Diferentemente do dia anterior, a PM revistava as bolsas dos manifestantes. Será que é porque só havia petistas e temiam que nós nos matássemos? Eu questionei os guardas no momento em que revistavam as bolsas: por que que no dia 17 não revistaram as bolsas também? Disseram que só recebiam ordens.
Encontrei muita gente que eu não via a muito anos, dentre eles ex-alunos e colegas de profissão. Um sentimento que tomou conta da minha pobre existencialidade era comum a todos os brasileiros reunidos nesse local e nas demais capitais e cidades do país. Ao mesmo tempo em que festejávamos a unidade, a paz, o amor, a democracia nos sentíamos fortalecidos para uma luta em execução. Nossa alegria não era um fogo de palha por causa de uma vitória parcial da quebra das liminares que queriam destituir o Lula da função de ministro. A alegria sentida se deve ao fato de que todos ali sabem que a nossa luta é clara e limpa, porque está alicerçada na justiça, na democracia e na paz. A alegria estava sedimentada na constatação de que o público ali representado era diversificadíssimo. Vi índios, negros, brancos, pobres, ricos, gays, lésbicas, idosos, adultos, jovens e crianças. Vi também que, cada um ali presente tinha substrato racional o suficiente para justificar a sua presença no ato. São pessoas muito bem instruídas e educadas. Os ambulantes presentes no local nos elogiavam e falavam da educação no tratamento para com eles.
O sentimento de unidade, de união, de compaixão fez desse momento um convite a todos nós para a criação de núcleos permanentes de discussão de política. Se engana quem pensa que a união dos manifestantes se deve ao partido do PT unicamente, ou à demanda conflituosa das lideranças petistas. A unidade em que vivenciamos nesse dia se deve à constatação de que estamos atentos, estamos alertas para a fragilidade em que passam as nossas instituições políticas.
Nem mesmo o grande mal feito de Gilmar Mendes no final da festa foi capaz de extinguir os laços de companheirismo estabelecidos no ato do dia 18. Foi até bem vindo porque esta foi a primeira prova de que somos movidos à racionalidade e não à debilidade massificadora da odiosa onda que engolfa boa parcela dos brasileiros. A onda odiosa seduz, cega, engana e violenta a sanidade de algumas pessoas que somente se convencem do lado em que tem que lutar, mas não do motivo real da luta que lhe é alheia. Uma massa de manobra não conhece as razões pelas quais ela é conduzida, tal como o gado que segue resignado ao matadouro, mas de modo inconsciente e a passos lentos. O caminho do matadouro se inicia no feno, pois a cada dia que o boi enche a barriga o peão conta os dias para o abate.

Algumas fotos e vídeos como registro do ato: Daniel Batista, estudante do Ensino Médio. Beirão, artista de Brasília. Chris e Isabela, do Inesc. Gustavo Porto, Gláucio Irmão e Márcio Irmão, professores. Paulo assessor parlamentar. O Mito.
 






 

















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