Onde Mora o Cálix Bento?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

imagem teatro cristao
 
Por intermédio de um grupo de intelectuais, especialmente através da figura do Gláucio Irmão, tive o prazer de conhecer o célebre texto de um grande historiador, Ilton Alves Pereira. Qualquer comentário sobre o seu texto seria "chover no molhado". Ilton descreve em caráter acidamente crítico e profundamente poético o modelo de gestão política que vem assolando o Brasil, especialmente o Centro-Oeste. Para não dizer que nada acrescentei fiz apenas uma inquietação existencial da temática abordada com uma aguda entonação musical interpretada por Ney Mato Grosso na música Cálix Bento.
Ney Matogrosso interpreta essa canção folclórica evocando os mais profundos sentimentos, como se fossem sentimentos fúnebres, pesarosos. Assim é o que sentimos ao ler o texto do Ilton. E portanto, nada mais necessário nesses momentos de apatias intelectuais, cuja zumbizisação se deve ao excesso de informação, às travessuras da mídia e sobretudo à censura política da liberdade de expressão e da expressão da verdade, a vontade de chorar, de se rebelar e de lutar. Nada melhor do que a dor da perda para congregar o povo à sanidade. Em tempos de democracia que se dilui por tiranias tão amargas, precisamos não somente lamentar, mas tomar para nós as dores e reclamar politicamente a justiça cabida.
Boa  leitura.
 
Por Ilton Alves Pereira
Bacharel e Licenciado em História  - UFGO
Acadêmico de Direito - Faculdade Fasam - Goiânia GO
Servidor Público - Ministério Público do Estado de Goiás.
 
 
 
 
Bom dia, meu povo e minhas povas, como dizia Papai, 'seu Nequin'!

Não sei, mas acho que vivemos um mundo em que parece não ter efeito algum, nele mesmo, qualquer reflexão acerca de como ele é gerenciado. O povo, este elemento amorfo, escravo da responsabilidade pelo poder, aquele que dele, povo, emana, como diz a poesia constitucional, não tem, absolutamente, capacidade alguma de influir na maneira como é estruturado o Estado. O Estado é detentor inquestionável, irrefutável, irretratável, indelével... de nossas pulsões, sejam quais forem. Estamos vivendo, aqui no distinto Estado de Goiás, o paradoxo essencial da teoria montesquiana da tal tripartição do poder e sua imanente independência harmônica.
O Governador tem na coleira de seu quintal goiano, o Legislativo, o Judiciário, as outras duas pétalas do trevo, e, de quebra, o chamando "autônomo" Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), o tal Fiscal da Lei. É deprimente assistir a essa relação promíscua de gerência dos interesses da sociedade goiana. E preciso que alguém possa me dizer, nesse caso a título de socorro, roga-se a quem? Será por isso que o crescimento dos templos e suas mais criativas dissidências é tão propulsivo, será que isso sempre foi assim e não sabíamos? Por assim olhar, deve ser mesmo coisa de fim de mundo, quisera!
A coleira, a que me referi, arrocha flagrantemente a garganta do Legislativo deste Estado, de tal maneira que a única voz que sai de lá é a que profere interesses do dito Governador. Vetou a Revisão Geral Anual - RGA, prevista na Constituição Federal, dos servidores do Judiciário e do MPGO, deste dizendo: "é órgão do Executivo" não terá reposição, tal como os servidores do próprio Executivo. Também estão na mesma barca servidores do TJGO e da Assembleia Legislativa do Estado (ALEGO). Para aonde foram as autonomias dessas instituições? Onde está o primado do interesse público, da sociedade, como rezam os institutos legais criadores do Estado Democrático de Direito? Onde ecoa a voz do poder que emana do povo? Os representantes são ineptos, para tanto, por excelência em todas as instâncias em que direta ou indiretamente deveriam proferi-la.     
Então o que fez e ainda faz o Governador de Minas, o "eminente" Aécio Neves, é feito, e será feito por ele e todos os outros, com o adorno do poder que emana deles mesmos, exercido na via fora da lei à moda do velho oeste. Todas as atitudes do Estado se justificam nele mesmo. Não há que se falar em respeito aos preceitos que o criaram via ótica da Ética, da Moral, da Justiça, mesmo porque esses institutos principiológicos do edifício da sociedade são meras 'prostitutas', que me perdoem elas, de homens-gestores paridos do pejorativo maquiavélico recorrente na história deste pseudo país, já que é crassa a certeza de que não há outro modo de considerar. Afinal, aquilo que é mais importante, é o objetivo essencial do Estado-país, o povo, a comunidade brasileira, é ultrajada dentro de sua própria casa, por todo tipo de malfazejo.
Não sei até que ponto, mas em grande monta, o pior é que essa mesma comunidade, esse mesmo povo não é tão vítima assim. O que não justifica a prática, sobretudo, reiterada do crime de escalpelar toda a dignidade, todo brio, toda importância imensurável de um Estado, de um povo, e sua pluralidade multifacetada de impulsos humanos a legar edifícios psicossociais, para engenharia da convivência humana dentro das gerações que dão seguimento à vida neste território. Mas o que se vê é um horizonte oco, consumido, devastado de esperança, por esses impalavráveis homens dos palácios, parlamentos e tribunais que gerenciam os recursos advindos de nosso sangue, munidos da delegação do poder, com o que oprime quem o delega. E, em que pese nossa revolta, nossas palavras ecoam no vazio do não poder.   
Só para não dizer que já não posso pelo menos dizer. 

 




 
 

 

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