(LF-2015) Texto de Filosofia 3.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Teorias éticas da modernidade.

Por Adeir Ferreira


Arthur Schopenhauer
            A ética para Schopenhauer se configura como prática. É a partir deste pressuposto que se desencadeia toda a sua filosofia. Nietzsche chegou a elogiar o pensamento schopenhauriano por se colocar a favor da vida, sendo dessa forma menos teórico. Schopenhauer descreve o mundo e suas mazelas para que possamos compreender a origem de todo os males. A fonte de todos os males seria o egoísmo. Por isso Schopenhauer propõe a compaixão como meio de pensar o outro e de pensar no outro.
            Inspirado no budismo, a ética de Schopenhauer calca seu conceito de verdade em um quesito mais humano que divino (metafísico-ôntico), portanto, a intuição é a mola propulsora para o conhecimento da verdade. Schopenhauer não exclui a razão do campo do saber, ele apenas determina os momentos adequados em que ela deve ser empregada e os momentos em que dela deve-se abster (O mundo como vontade e representação, p. 67-73).
            A ética de Schopenhauer tem como fundamento a compaixão, diz Reale e Antisseri (p. 233). Para ele devemos nos compadecer com as dores do outro ao sentir nossas próprias dores. O caminho para a fuga da dor do existir se dá por meio da ascese, da negação da vontade egoísta de tirar vantagem em tudo. A ascese é o caminho da redenção e a da libertação da dor e do egoísmo.

Emmanuel Lévinas
            O pensamento ético de Lévinas está associado a alteridade, ou seja, ao outro. Assim como em Schopenhauer, o outro é pensado, no entanto, não como alvo de compaixão, Lévinas pensa o outro em questões de preservação da identidade, o respeito e a responsabilidade.
            Hutchens (Compreender Lévinas, 2007), estudioso de Lévinas, diz que o filósofo entende que: “somos dependentes dos outros de maneiras das quais muitas vezes não estamos sequer conscientes, precisamente porque tantas vezes pensamos sobre nós mesmos em termo dos critérios avaliativos da racionalidade moderna” (Hutchens, p. 33). Por isso somos responsáveis pelo outro. A ética de Lévinas é uma ética da responsabilidade porque nascemos em um mundo permeado de relacionamentos sociais (ibd. p. 35). A ética levinasiana aponta a responsabilidade em exercício como ponte para a liberdade, pois a realidade do mundo e do outro são fatos inegáveis.

Henrique Dussel
            A ética de Dussel parece se configurar com padrões mais sociais do que com os tradicionais conceitos metafísicos. Dussel utiliza-se do marxismo para fundar sua compreensão de ética no campo das relações sociais e em Lévinas para fundamentar a compreensão do ser humano nas suas relações existenciais e interpessoais com o outro.
            Na perspectiva de Dussel, em decorrência da condição finita dos seres humanos, há desigualdade social e marginalização, de tal modo que uma parcela da sociedade é excluída. O papel do filósofo é incutir reflexões críticas ao sistema, a fim de, favorecer às vítimas esclarecimentos da situação, e dessa forma se libertarem por si mesmas das mazelas da negatividade social e existencial.
           
Referências Bibliográficas:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

HUTCHENS, B. C. Compreender Lévinas. Tradução de Vera Lúcia Mello Joscelyne. Vozes: Petrópolis, 2007.
                                                                                                             
LÉVINAS, Emmanuel. Humanismo do outro homem. Tradução de Pergentino S. Pivato e col. Petrópolis: Vozes, 1993.

REALE, Giovanni; ANTISSERI, Dario. História da filosofia: do romantismo até nossos dias. São Paulo: Paulus, 1990. Vol 3.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Tradução de M. F. Sá Correia.  Rio de janeiro: Contraponto, 2001.





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